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Postado por: Carlos Henrique
Data: 26/02/2016Dividir para governar
Dividir para governar
Vale à pena a leitura do artigo do presidente da OAB/RO, Andrey Cavalcante, uma cuidadosa análise conjuntural que traça um paralelo entre tudo aquilo que Immanuel Kant condenava, já no século XXVIII, e que tem sido integralmente aplicado no projeto de poder petista, cuja moralidade é apenas teórica. Eis o artigo:
Entre as recomendações de Maquiavel até hoje adotadas como referência nos meios políticos, uma é exemplar. Ensinava o pensador italiano que o príncipe audaz deve tentar “dividir para governar” (ou reinar). "Divide et impera" – orientava ele. Em “Paz Perpétua” o filósofo Immanuel Kant, 300 anos depois, esclareceu, porém, que uma das condições para a pacificação universal seria a moralização da política, contra as astúcias utilizadas pela sabedoria imoral. Ele advertiu, em seu esboço filosófico, serem também rigorosamente imorais as máximas políticas “fac et excusa”(agir agora, e pedir desculpas mais tarde) e “si fecisti, nega” (quando você cometer um crime, negá-lo). São, como classificou Kant, estratégias comuns ao homem prático, para o qual a moralidade é mera teoria.
O noticiário político brasileiro exibe uma lamentável repetição do uso, estudado ou instintivo, da prática de promover ou estimular divisões entre os indivíduos com o objetivo de evitar alianças que poderiam desafiar o governante. E de auxiliar, estimular e dar poder político para aqueles que estão dispostos a cooperar. E, mais ainda, fomentar a inimizade e desconfiança entre lideranças políticas e incentivar gastos sem sentido dos entes federativos para reduzir sua capacidade de administração financeira e aumentar a dependência em relação ao poder central. Tudo absolutamente atual em um país que não se escandaliza ao ver um ex-presidente ameaçar a população com o “exército de Stedile” e ficar tudo por isso mesmo.
É contra isso tudo que a OAB nacional se insurge, pela recuperação da moralidade nacional, em defesa da ética na política, do respeito às leis, à constituição e ao estado democrático de direito – não custa repetir. E vai se empenhar, em campanha permanente, em favor do resgate da moralidade, da eficiência administrativa, da unificação do país e contra a reedição da CPMF ou qualquer outra elevação da carga tributária. A OAB vai envolver nessa campanha a credibilidade conquistada junto à população por todo o seu histórico de lutas. Ou, como disse o presidente nacional Cláudio Lamachia em seu discurso de posse, o “exército de um milhão de advogadas e advogados deste país, com sua opção pela democracia como a única forma aceitável de representação política.”
“Fui escolhido para representar um projeto” – disse ele, para acrescentar que “o farei sob a inspiração de Deus e junto aos colegas de Diretoria, aos membros do Conselho Federal e das comissões nacionais, aos presidentes e conselhos das 27 Seccionais, às diretorias das 27 Caixas de Assistência e das 27 Escolas da Advocacia, assim como às diretorias e conselhos das 1.010 subseções da OAB espalhadas por todo o território nacional. Nosso sistema tributário é feito para que ninguém consiga cumpri-lo, e, portanto, para que todos fiquem em mora com um Estado acostumado a criar dificuldades para vender facilidades. O sistema tributário brasileiro é caótico e indecente. Por isso juro aqui, solenemente, perante a advocacia brasileira, combater o arbítrio, a corrupção e a injustiça em todas as suas formas de manifestação”.Já disse aqui, em vários artigos, que o Brasil tem cura. É importante ressaltar que, na Argentina, em somente dois meses na presidência, Maurício Macri retirou todas as restrições de importações, zerou o imposto de exportação de trigo, milho e carne, e reduziu o da soja, automóveis e motos. Mesmo assim, a arrecadação aumentou. Além disso, denunciou o acordo com o Irã e expulsou médicos cubanos sob a justificativa de que não financiaria ditaduras enganando a população com uma pseudo assistência médica. Demitiu 19 mil comissionados, desmontou a “Ley de Medios” e anunciou que vai pagar todas as dívidas dos importadores argentinos, no total de US$ 5 bilhões, 80% delas com exportadores brasileiros.Como disse o articulista Renato Follador, “aArgentina voltou ao mercado mundial de capitais, depois de 10 anos de kirchnerismo, em que foi a leprosa do mundo. Há duas semanas, investidores internacionais fizeram fila em Davos para falar com Macri. Enquanto isso, no Brasil, o Congresso parado sob o comando de dois denunciados e a presidente, sustentada por um partido esfacelado pela contradição e pela corrupção, reafirma sua incompetência, arrogância e impopularidade para fazer as reformas necessárias. Mais uma vez se confirma a tese de que governos são resultado da qualidade e da visão estratégica de seus governantes. Nunca pensei que teria inveja da Argentina.”Isso não será necessário. Vamos concentrar esforços para resgatar a moralidade nacional. E demonstrar ao mundo que o Brasil e o povo brasileiro são muito maiores que isso. E o Brasil poderá sempre contar com a OAB pois, como disse o presidente Lamachia, nosso partido sempre foi o Brasil, nossa ideologia sempre será a Constituição Federal. A OAB não é do Governo nem da oposição, mas sim voz do cidadão. E a vitória não será desta instituição e muito menos nossa. A vitória será do Brasil e dos brasileiros”.
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Nome: wilson aguiar26-02-2016 19:02
Comentario: muito bem presidente esta na hora de formamos posição em favor da OAB.para dar seguridade de seus salários são de fastadores em relação aos salários do povo brasileiro tem que diminuírem 30%de todos os salários desses políticos começando com vereadores que estão no poder verão quanto dinheiro vai sobrar para investimentos na saúde e infraestrutura do brasil
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Nome: Francisco Américo Hauser27-02-2016 08:02
Comentario: Articulista, "apenas uma observação, século XXVII ??? !!!", seu apoio a OAB e sua indignação é quase unanimidade Nacional, mas considerando o amplo direito de defesa de todos os atores, corruptos corruptores, auditores e defensores, será que a representação jurídica e a sentida indignação não seria ao menos minimizada se as surreais manobras jurídicas baseadas em inverdades fossem criminalizadas no contexto condenatório das ações assim sentenciadas uma vez que a justiça sega deve ser baseada na verdade.
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Nome: CHA01-03-2016 12:03
Comentario: Obrigado, professor, pela correção. Errei por um milênio. Sua observação é primorosa: a malandragem tem realmente que ser criminalizada. Só assim a seriedade será valorizada. Pena serem malandros os que detêm o poder de transformar malandragem em crime.
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Nome: G2usvW8G19-05-2016 20:05
Comentario: Heck yeah ba-ybee keep them coming!
