Cheiro de Bilhão


Investimentos previstos para o sistema portuário já atrai aves de rapina

Um verdadeiro avião aterrissou esta semana no sistema portuário de Porto Velho. Trata-se do ex-candidato a prefeito de Itapuã do Oeste pelo PDT em 1988, hoje presidente da Federação Nacional de Empresas de Navegação Marítima, Fluvial, Lacustre e de Tráfego Portuário – Fenavega, ligada à CNT, empresário Raimundo Holanda Cavalcante Filho. Ele veio a Porto Velho na marola dos investimentos anunciados de R$ 1 bilhão em recursos públicos e privados para a melhoria e ampliação do porto, hoje classificado entre os quatro mais importantes do país em movimentação de carga.

Raimundo Holanda, contudo, não veio só. Trouxe consigo uma equipe da Rede Globo, que pareceu pautar, dirigir, orientar e subsidiar com as informações deu interesse, para uma série de matérias anunciadas para veiculação do Fantástico, com o jornalista Marcos Losekann, já bastante conhecido por aqui. Foi dele a matéria que denunciou no Jornal Nacional um servidor do Incra como envolvido na grilagem de terras no estado. E produziu também uma indenização de R$ 2 milhões paga judicialmente pela Globo ao acusado, que embora tenha comprovado sua inocência não obteve direito de resposta, senão em uma breve nota no Jornal da Globo, enquanto uma de suas filhas foi acometida de um AVC em decorrência da notícia, com danos irreversíveis.

Parece estar muito claro o interesse de Raimundo Holanda na matéria. Como nosso sistema portuário sempre foi de extrema precariedade e o tratamento oferecido pelo governo federal notabilizou-se historicamente pelo descaso – vale observar a questão da dragagem da hidrovia- a ideia seria desqualificar nacionalmente a administração pública e facilitar a transferência do sistema para a iniciativa privada. Depois, é claro, de construído o acesso, realizados os investimentos estimados em R$ 1 bilhão e construídas as novas e amplas instalações físicas na região de Porto Chuelo. A estratégia da Fenavega é definida no próprio site da instituição que diz claramente: “os empresários do sistema Aquaviário esperam que seja reconhecida a importância do transporte aquaviário, voltado historicamente para a integração do país e estrategicamente para o escoamento de produção de larga escala, vital para o desenvolvimento econômico e do comércio exterior do Brasil”.

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