Em “Romanceiro da Inconfidência“, escreveu Cecília Meireles: “(Pelos caminhos do mundo,/ nenhum destino se perde:/ há os grandes sonhos dos homens,/ e a surda força dos vermes.)”
O presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, complicou mais um pouco a situação de Flávio Bolsonaro, com seu expresso sinceridício em entrevista do Globo News. Valdemar confirmou o que publiquei em www.blogdocha.com.br: Flávio visitou Daniel Vorcaro em prisão domiciliar na esperança de encerrar, “colocar um ponto final no contrato” (de R$ 123 milhões, R$ 61 milhões já depositados). Mas foi cobrar o “atrasado” (R$ 62 milhões) para fechar o patrocínio do filme.
O que ninguém se deu ao trabalho de imaginar é que a declaração de Valdemar, dita, repetida e assinalada na entrevista à Globo News, para depois ser declaradamente negada sem de fato ser (dá para entender?), pode ter sido deliberada. Por partes: O presidente do PL disse claramente que Flávio foi buscar o troco na casa de Vorcaro. Disse e repetiu, a ponto de deixar atônitos e quase sem ação os jornalistas. Mais tarde, ele gravou vídeo para, segundo ele, negar o que foi dito, que não era bem aquilo e “que tudo estava fora de contexto”. Mas teve nova chance de negar e não o fez.
O que ficou de fora das avaliações e análises foi a possibilidade de ser exatamente aquela a intenção do entrevistado: inviabilizar a candidatura de Flávio e abrir espaço para a candidata de seus sonhos: Michelle Bolsonaro. Valdemar sabe que a família não concorda. E quanto a isso, não lhe resta como discordar. Mas isso não significa conformar com a derrota, que parece ser o tudo ou nada jogado por Eduardo e seu pai desde o início, quando parecia que Flávio não teria chance alguma e ele mesmo acreditava ter sido indicado apenas para negociar.
O presidente do PL claramente não compartilha essa visão de vitória na derrota, pela manutenção do controle da Direita pela família. Ele sonha em valer-se do patrimônio eleitoral amealhado pelo clã Bolsonaro enquanto for possível. Mas adoraria livrar-se dessa servidão insuportável. A derrota pode lhe custar caro. Pode implicar na redução da bancada e encolhimento da participação do fundo partidário. Apenas isso!
A propósito: é curioso que a produtora, Karina Gama (apontada como laranja de Mário Frias), e também enrolada até o pescoço, declarou que os R$ 61 milhões cobriram 90% do orçamento. Faltou explicar quem ficaria com os R$ 62 milhões “trocados” que levaram Flávio Bolsonaro em desespero a cobrar Vorcaro com tornozeleira e tudo em sua residência paulista.